O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil enfrenta um desafio crítico: a crescente escassez de motoristas profissionais. Dados recentes da Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) revelam a perda de 1,1 milhão de motoristas habilitados nas categorias C, D e E na última década, impactando significativamente as operações das transportadoras em todo o país.
Pesquisas da NTC&Logística indicam que 88% das empresas do segmento reportam dificuldades na contratação de condutores e agregados. Tal cenário resulta em uma média de oito caminhões parados por empresa nos pátios, evidenciando a urgência em encontrar novos talentos. A falta de mão de obra qualificada posiciona-se como o segundo maior obstáculo para o crescimento do setor, superada apenas pela piora do mercado interno.
Desafios Financeiros e Operacionais para Transportadoras
Em meio à escassez de motoristas profissionais, as transportadoras brasileiras também lidam com custos operacionais em elevação e margens de lucro reduzidas. Nos últimos 24 meses, os gastos com mão de obra acumularam um aumento de 13,42%, e em 36 meses, atingiram 20,2%. A defasagem média do valor do frete em relação aos custos calculados pela NTC atinge 10,1%, com muitas empresas enfrentando dificuldades para reajustar seus preços e atrasos no recebimento.
A rentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) em 2025 foi impactada por fatores críticos como os novos custos com seguros (Lei 14.599/23), o fim da leniência no piso mínimo e a perda de produtividade devido a decisões judiciais sobre tempos de espera e descanso. Esses elementos elevam o custo fixo por viagem e demandam investimentos em retenção e benefícios para atrair e manter motoristas qualificados.
Cenário de Investimentos e Qualificação
A pesquisa da NTC&Logística também aponta para uma cautela no setor em relação à renovação da frota. Nos últimos 12 meses, 61,2% das empresas não adquiriram novos veículos, e para 2026, 61,5% não planejam investir em aquisições. Contudo, há um forte indicativo de investimento em capital humano: 92,6% das empresas planejam destinar recursos para treinamento e capacitação de motoristas.
Para o próximo ano, 57% das empresas esperam estabilidade no mercado, enquanto 29,6% projetam piora e apenas 13,3% vislumbram melhora. O setor inicia 2026 com pressões inflacionárias, o início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento e a Selic elevada, exigindo atenção imediata para garantir a sustentabilidade e o desenvolvimento do transporte de cargas no Brasil.
