O Brasil enfrenta uma crescente escassez de motoristas profissionais, um desafio que ameaça o futuro do setor de transporte rodoviário de cargas. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que 65,1% das transportadoras brasileiras já relatam dificuldades na contratação, com 44,6% das empresas possuindo vagas em aberto para esses profissionais.
A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, ressalta a urgência de discussões sobre relações de trabalho e aperfeiçoamentos regulatórios para garantir a competitividade das empresas e a atratividade da profissão. Nos últimos 10 anos, a Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) registrou a perda de 1,1 milhão de motoristas profissionais. Uma pesquisa da NTC&Logística revela que 88% das empresas enfrentam problemas para contratar motoristas e agregados no transporte.
Atualmente, o setor de transporte rodoviário é vital para a economia do país, movimentando 64,85% de todas as cargas e respondendo por 44% da receita setorial. Ele emprega 1,3 milhão de pessoas e gerou 47.440 novos postos de trabalho em 2025.
Propostas para Reduzir a Falta de Motoristas no Brasil
Diante do cenário de escassez de mão de obra, duas propostas legislativas tramitam em Brasília (DF) com o objetivo de atrair novos profissionais, especialmente os mais jovens, para o setor:
- Piso Salarial Nacional: A MP nº 1.343 propõe um piso salarial de R$ 5.000,00 mensais para motoristas profissionais de transporte rodoviário de cargas em operações de longa distância (aquelas em que o motorista permanece fora da base por mais de 24 horas). Este valor deverá ser seguido por todos os acordos e convenções coletivas, sem possibilidade de redução.
- Redução da Idade Mínima para CNH D e E: Uma proposta em votação busca reduzir a idade mínima para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias D ou E de 21 para 20 anos. Deputados federais consideram esta medida um incentivo para a entrada de jovens adultos no mercado de trabalho.
